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Crescimento explosivo do tráfego 5G amplia o debate sobre gerenciamento do espectro
Agência Telebrasil
09/09/2020

Empresas de telecom e fornecedores pedem à Anatel que faça reserva de espectro na faixa de 6 GHz  – voltada para serviços não licenciados, visando a expansão futura do 5G. Decisão da agência reguladora será conhecida até o final deste ano.

Não parece haver dúvidas entre os players e agentes do mercado de telecomunicações de que a chegada do 5G poderá representar um crescimento explosivo do tráfego por conta de aplicações mais pesadas, como realidade virtual. Em função disso, as empresas defendem que parte do espectro seja reservada para, no futuro, garantir a expansão do 5G.  Um dos alvos, por exemplo, é a faixa de 6 GHz destinada para serviços não licenciados como o Wi-Fi 6E. Há um pedido para que a Anatel reserve 500 MHz para o futuro. O melhor uso do espectro foi tema do workshop Futuras demandas por espectro, realizado na terça-feira, 08/09, no Painel Telebrasil.

Para a agência reguladora, o espectro está relacionado ao passado, presente e futuro, de acordo com Vinícius Caram, superintende de Outorga e Prestação de Recursos da agência. Para o futuro, o 5G está entre as prioridades do órgão, que já destinou 90 MHz da faixa de 2,3 a 2,4 GHz, 300 MHz para a de 3,3 a 3,5 GHz, e 3,2 GHz para a de 24,3 a 27,5 GHz, “o maior leilão do mundo nessa frequência”. Estão em análise as faixas de 1,4 a 1,5 MHz, 1.908 a 2.010 MHz  e 4.800 a 4.990 MHz.

Na avaliação do executivo, as novas tecnologias para a revolução digital vão se dividir em espectro licenciado e não licenciado e combinar soluções, como o WI-Fi 6E e satélite. Ele também considera que o Wi-Fi 6E –  evolução do atual Wi-Fi, mas que traz novas particularidades, velocidade e utiliza a faixa de 6 GHz – terá um papel complementar ao 5G. “O estudo do Wi-Fi 6E já foi colocado para o Conselho Diretor, e é possível que tenhamos equipamentos para a venda já no Natal”, afirmou.

Mas o futuro do 5G difere de todas as tecnologias anteriores, como mostram pesquisas de empresas, com a possibilidade de escoar metade de todo o tráfego mundial em 2025. “Nós fizemos uma sugestão para a Anatel em relação ao espectro de 6 GHz – a única banda remanescente nessa faixa de espectro –, que hoje vem sendo pensado para uso não licenciado. Nós sugerimos que não seja alocado completamente esse espectro para esse fim no momento, reservando uma parte dele para avaliação futura”, comentou Paulo Bernardocki, diretor de Soluções e Tecnologia de Redes da Ericsson.

Explosão de tráfego

Segundo o Ericsson Mobility Report – June 2020, em 2025, haverá cerca de 2,8 bilhões de assinantes 5G no mundo, com o tráfego aumentando quatro vezes em relação ao que temos hoje. Para o final deste ano já são esperados 190 milhões. Essa tecnologia tem potencial para cobrir 65% da população mundial também em cinco anos, de acordo com o relatório.

“É um momento muito forte de lançamento de novas operações 5G no mundo, mas sem uma larga adoção e difusão da tecnologia não será gerada uma transformação”, disse Marco di Constanzo, diretor de Engenharia da TIM, Ele citou como exemplo a China, que lançou a tecnologia no ano passado e, atualmente, tem cerca de 50 milhões de clientes e a Coreia do Sul, onde 80% dos assinantes 5G utilizam recursos de realidade virtual. Isso está impulsionando o tráfego para pouco mais de 24 Gbits mensais.

Para o Brasil, ele acredita que é preciso estabelecer um círculo virtuoso, o que significa incentivar a inovação e o crescimento da economia, que gera mais consumo e bem-estar social e, a partir daí, mais investimentos. Ele considera que os fatores chaves para o 5G no País devem prever leilão não arrecadatório, maior agilidade para instalação de novos sites e redução da carga tributária sobre IoT.

Constanzo reforçou que em meados do ano passado a TIM iniciou três pilotos 5G, e este ano terá três pilotos FWA 5G em Bento Gonçalves (RS), Itajubá e Três Lagoas (MG). “Nosso propósito não é testar a tecnologia. O que queremos demonstrar é a real oferta de novos modelos de negócios e de serviços”, observou.

“O espectro deve servir sempre primeiro à cobertura, proporcionando serviços confiáveis para que todos tenham acesso, independentemente de onde vivem e trabalham, disse Giuseppe Marrara, diretor de Políticas Públicas da Cisco no Brasil. Na sua avaliação, em segundo lugar as frequências devem ajudar a proporcionar qualidade e permitir grandes velocidades. E, por fim, preços que permitam a inclusão digital e um cardápio de ofertas de serviços. A partir dessa consideração, o executivo ressaltou que a faixa de 3,5 GHz será fundamental para o 5G.

Ele também concorda com um leilão não arrecadatório para que a infraestrutura seja implementada rapidamente. “Quando olhamos nos espectros apresentados pela Anatel, temos pelo menos cinco bandas que podem ser utilizadas onde se tem cerca de 17 GHz em jogo, algo extremamente interessante que pode adensar e compor os serviços de 5G”, avaliou.

O executivo ponderou que o Wi-Fi hoje tem papel fundamental para a capacidade de tráfego do 4G. “Quando formos para o 5G, a composição com o Wi-Fi 6E será igualmente importante. Até 2022 há estimativas de que o uso offload com Wi-Fi alcance 59% do tráfego”, pontuou.

Na opinião da Milene Pereira, gerente de Relações Governamentais da Qualcomm, quando se fala em mundo conectado a referência é uma combinação de tecnologias, como 4G, 5G, Wi-Fi, bluetooth e outras. “A importância do 5G nesse contexto foi muito discutida nos últimos anos, mas agora tem um alcance geral e já está entre nós”, disse.

Para a executiva, o espectro com o DSS e a faixa de 3,5 GHz já vão proporcionar muitos serviços. Ela entende que as ondas milimétricas são fundamentais para proporcionar maior capacidade com menor latência, mas concorda que a partir das necessidades que serão geradas com o 5G há necessidade de maior capacidade, citanda a faixa de 4,2 GHz para um futuro “não muito distante”.

Na sua opinião, o tráfego de dados no Brasil vem crescendo significativamente e as decisões de alocação têm de antecipar esse problema com o 5G. “Conectividade é essencial para diversas indústrias, e espectro é uma necessidade para a conectividade”, finalizou.

Os desafios para a retomada da economia e o papel fundamental de telecom neste processo seguirão em  debate no Painel Telebrasil 2020, nos dias 15, 22 e 29 de setembro. As inscrições são gratuitas e a programação completa do Painel pode ser acessada no site http://paineltelebrasil.org.br/.

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