Formação de capital humano para a transformação digital -  Especial - Agência Telebrasil

Só com mão de obra capacitada, o Brasil terá uma agricultura 4.0

17/05/2019

O Brasil, para continuar como referência na agricultura, precisa buscar formas de rentabilizar melhor a produção, produzindo mais com menos custos. Isso tem sido possível graças ao avanço tecnológico que, entre outros exemplos, fez com que se produzisse uma maior quantidade de insumos na mesma área. Hoje, sensores detectam volume de água no solo e programam a irrigação inteligente; sistemas de alerta climático são usados para que ações preventivas possam ser tomadas; e, com imagens de satélites cada vez mais baratas e o uso de drones, está mais fácil o monitoramento do uso e da cobertura da terra.

A transformação digital tem impactado todas as áreas e na agricultura não seria diferente. No campo, um dos desafios enfrentados pelas empresas agrícolas é conseguir analisar dados de diferentes fontes e fazer com que o dado bruto vire informação e conhecimento em tempo real para o produtor tomar decisões certeiras. Silvia Massruhá, chefe-geral da Embrapa Informática Agropecuária, divide em três fases a migração tecnológica da agroindústria.

Em uma análise histórica, ela volta à década de 1990, quando a chegada da internet comercial levou ao desenvolvimento de aplicativos para web. No entanto, ela ressalta que apenas os maiores produtores tiveram acesso. Somente a partir do advento dos smartphones, já em meados da década de 2000, que os pequenos produtores começam a ter acesso às novas tecnologias.

“Em 2006, 75 mil produtores acessavam a internet pelos smartphones e, no último Censo, eram 1,4 milhão em um universo de 5 milhões. Vemos estudos que mostram que, em 2008, apenas 7% dos produtores rurais acessavam a internet; hoje são 43%. A internet móvel facilitou o acesso”, diz Silvia Massruhá. A terceira fase, depois da internet e dos smartphones, é a da Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês).

Para ela, o cenário atual é de sensibilização do produtor rural sobre os benefícios de usar tecnologia para fazer a gestão da fazenda. “Mas mesmo assim, ainda vemos que os produtores ficam perdidos, principalmente, os pequenos e médios”, explica. A falta de mão de obra especializada e até mesmo de um maior conhecimento têm sido impeditivos para a maior adoção. Do lado dos fornecedores, Silvia Massruhá ressalta que aplicativos e sistemas precisam ser mais amigáveis e práticos.

Entre os grandes desafios, a executiva da Embrapa Informática Agropecuária destaca a conectividade e a capacitação da mão de obra. “Precisamos de pessoas capacitadas para usar as novas tecnologias. Por exemplo, para operar uma colheitadeira automática tem de saber trabalhar com computador de bordo. É preciso capacitar um novo perfil das pessoas que vão trabalhar no campo.”

Existe também uma demanda, cada vez maior, de os próprios profissionais das áreas do campo  dominarem as tecnologias para orientar e decidir quais serão aplicadas. Outro perfil requisitado é daquele que vai adaptar os dispositivos e equipamentos para serem usados no campo, onde as condições são mais adversas quando comparadas a ambientes controlados. Na camada de aplicações, é preciso ter profissionais que analisem os dados e consigam traduzir o que foi coletado em informação útil para o negócio. É um perfil de cientista de dados e profissionais com conhecimento em algoritmo e reconhecimento de padrão, mas que devem entender do agronegócio.

Ou seja, requisitam-se especialistas em tecnologia da informação capacitados para trabalhar com os problemas da agronomia. “É um perfil multidisciplinar e ainda há uma demanda grande. Nas universidades, vemos cursos multidisciplinares na pós-graduação, mas não na graduação. Acredito que até as graduações terão de mudar para atender aos novos tipos de profissionais de que vamos precisar”, diz.

A especialista aponta que, com o avanço tecnológico e principalmente da robótica, os profissionais do campo precisam ser capacitados para trabalhar em outras áreas menos braçais, como na colheita (onde estão sendo substituídos por máquinas).

Questionada sobre o estágio em que o Brasil está, Silvia Massruhá lembra que o país é muito diverso e que, dos cerca de 5 milhões de produtores, perto de 80% é agricultura familiar. Assim, ao mesmo tempo em que se vê a agricultura 2.0, baseada na força da tração animal, e 3.0, que usa colheitadeira e usa parcialmente dados, há também alguma 4.0, que está baseada no conteúdo digital, tecnologia de ponta e com tudo conectado.

“A formação das pessoas tem de acompanhar esta trajetória. À medida que se incorporam novas tecnologias, muda-se a realidade; inclusive, a das pessoas que vão trabalhar no campo. Precisamos mais de capacitação para trabalhar de forma mais sistematizada junto aos produtores para o Brasil mudar de patamar.”

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