Formação de capital humano para a transformação digital -  Especial - Agência Telebrasil

Hospital Santa Paula faz transformação digital

11/06/2019

Inaugurado em 1958, o Hospital Santa Paula, localizado na Zona Sul de São Paulo, já entendeu a necessidade de se transformar digitalmente e caminha na direção da chamada medicina da precisão. “Em oncologia, por exemplo, os hospitais brasileiros não têm nada a dever a americanos ou europeus. Hoje, em função de diagnóstico mais preciso, chegamos à personalização, ao detalhe, e dar ao paciente tratamento com maior probabilidade em comparação com genérica. Com mapeamento genético vamos dar amplitude maior e em pouco tempo - exame de mapeamento genético mais barato", diz o doutor Moacyr Campos, que está à frente da transformação digital do Hospital Santa Paula (HSP).

A medicina de precisão vai dar condições de maior assertividade a diagnósticos e permitir que medicamentos sejam personalizados para as necessidades de um indivíduo. Para tanto, é necessário melhorar a qualificação da informação captada, ampliar a capacitação da mão de obra e levar a cabo, de fato, a transformação digital. Neste esforço, o Santa Paula possui a certificação internacional Health Information and Management Systems Society (HIMSS), que trata da segurança da informação, da acessibilidade da informação e da integração da informação dentro do ambiente hospitalar.

"Ela vai do nível um ao sete, sendo um o básico, quando se inserem no prontuário do paciente exames como o de sangue, e o sete que é quando o hospital abole o papel, tendo toda informação incorporada ao prontuário sendo digital e a circulação da informação no hospital dentro do prontuário eletrônico. No Brasil são quatro ou cinco hospitais que têm o nível sete e o Santa Paula é um deles", diz Campos.

Para chegar a este nível, o hospital passou por diversas fases, desde a revisão dos processos até a integração com outros sistemas, como de fornecedores de laboratório, exames de imagens, integração com médicos que trabalham. Campos ressalta que um dos principais esforços foi para preparar os colaboradores e instigar os fornecedores para trafegar neste ambiente digital.

"A qualificação do profissional, incluindo médico e enfermeira, é necessária. Eles precisam ter uma formação que antes não era do dia a dia deles", conta. "Eles têm de ter habilidade, treinamento e capacitação não somente na atividade-fim deles, mas também com o entendimento de estar a par do que acontece na área tecnológica", completa.

Essa transformação traz desafios. E o principal deles tem a ver com cultura. "Há mudanças na forma do médico agir. Ele tem de documentar todas as ações, mas, quando vê a integração da informação com o modelo novo, o médico já se sente mais confortável. É claro que tem resistência de alguns que não estão acostumados a usar as plataformas digitais no trabalho, mas é um segmento que já sofreu o processo de migração do papel para o virtual em outros setores, como banco, aquisição de outros serviços e bens como e-commerce", diz.

Com relação aos profissionais de tecnologia que são necessários para atender a este novo hospital, Moacyr Campos explica que não falta mão de obra para fazer manutenção dos sistemas ou o treinamento dos médicos para usar o prontuário. Faltam profissionais para trabalhar com big data, data lake, ou seja, pessoas que trabalhem na parte analítica e que consigam conferir inteligência aos dados captados.

Contar, por exemplo, com um epidemiologista que saiba trabalhar com linguagens da área de big data é algo ainda distante, mas que está nos planos do segmento hospitalar. "Estão surgindo novas demandas e temos lacunas a preencher como com profissionais de big data, que saibam lidar com estatística, com a criação de algoritmos, que trabalhem com inteligência artificial e com robôs para construir informação em cima de um banco de dados imensos que temos."

O futuro segue na direção de ter IA muito mais bem-qualificada, conferindo maior segurança à área médica. "Existe falsa expectativa de substituição do médico, o que nunca vai deixar existir, mas o que vai existir é um médico com mais condição de gerenciar a saúde do paciente, porque terá mais ferramentas e instrumentos para maior segurança e assertividade no tratamento. A inteligência artificial não substitui o médico, mas ajuda ele a trabalhar melhor", atesta Campos.

Atualmente, o Hospital Santa Paula tem prontuário eletrônico que é integrado com outros sistemas, por exemplo, pegando informações de equipamentos de médicos, como monitores cardíacos, algo que antes era feito pelos enfermeiros manualmente. "A internet das coisas médicas recolhe os dados e os insere com segurança no sistema que o médico possa consultar mesmo fora do hospital para acompanhar o paciente. Já tem, por exemplo, ferramentas de IA que processam um número imenso de informações coletadas e podem apontar riscos de infeção, deterioração e, assim, consegue antecipar ações que dão condições ao médico de gerenciar e diminuir riscos", completa.

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