Formação de capital humano para a transformação digital -  Especial - Agência Telebrasil

Brasil se ressente de talentos para avançar na indústria 4.0

09/05/2019

Levantamento 'Sucesso Personificado na Quarta Revolução Industrial: quatro personalidades na liderança para uma era de mudança e incerteza", feito pela Deloitte, com 2 mil executivos em 19 países, entre eles, o Brasil, constata que o País está defasado na parte de educação e formação de especialistas para a economia digital.

No estudo, 54% dos entrevistados no Brasil afirmam ter dificuldade em atrair talentos com as competências necessárias, enquanto, no mundo, essa porcentagem cai para 48%. Outro dado que chama a atenção é que 38% atestam que faltam profissionais com conhecimento tecnológico e demais competências necessárias às novas necessidades. No mundo, este número é de 44%, o que mostra que se trata de uma questão premente.

"A indústria 4.0 é formada por conjunto de ações sendo que uma delas trata da junção e conexão dos ativos físicos de maneira digital, da Internet das Coisas (IoT), o que resulta em maior produtividade e um retorno melhor para o negócio. Diante disso, o Brasil tem avançado neste caminho, mas um avanço ainda tímido, centralizado em grandes corporações", observa o relatório.

O estudo aponta que a Indústria 4.0 se estende muito além dos limites da tecnologia, que é tipicamente onde muitas explorações do fenômeno começam e terminam. Ela também se move além do domínio da produção para se concentrar em todo o ecossistema de parceiros, fornecedores, clientes, força de trabalho e mudanças operacionais.

As organizações, reforça a Deloitte, precisam entender que a Indústria 4.0 é mais do que apenas tecnologias avançadas: trata-se das formas pelas quais essas tecnologias são reunidas e de como as organizações podem aproveitá-las para impulsionar as operações e o seu desenvolvimento.

Para os líderes de negócios acostumados a dados e comunicações lineares tradicionais, a mudança para o acesso em tempo real aos dados e inteligência habilitados pela Indústria 4.0 transforma fundamentalmente o modo como conduzem os negócios. A integração de informações digitais de várias fontes e locais diferentes pode impulsionar o ato físico de fazer negócios, em um ciclo contínuo. Dessa forma, ao longo da pesquisa, foram identificadas quatro personas para este novo mundo:

• Data-driven decisive (Estratégia): trabalham para desenvolver estratégias eficazes para suas empresas, em mercados em rápida transformação

• Disruption driver (Tecnologia): concentram-se mais no uso de tecnologias da 4ª Revolução Industrial para proteger seus negócios do que para fazer investimentos arriscados

• Talent champion (Talentos): Estão mais à frente na preparação de suas forças de trabalho para o futuro; acreditam que sabem quais são as competências que suas empresas vão precisar

• Social super (Sociedade): Expressam um compromisso genuíno em melhorar o mundo, considerando o alto impacto da Indústria 4.0 na sociedade.

Mulheres perdem participação no setor de TICs

Estudo, com dados dos últimos 10 anos, revela um dado preocupante: aumentou a desigualdade de funções e de salário entre homens e mulheres. A partir do uso de dados disponíveis na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), um levantamento da área de Inteligência da Softex, batizado de "Mulheres na TI - atuação da mulher no mercado de trabalho formal brasileiro em Tecnologia da Informação", apurou neste segmento, no período de 2007 a 2017, a evolução da participação por gênero, a diferença da remuneração entre homens e mulheres, a ocupação de cargos, a valorização por regiões e a escolaridade.

Os resultados do estudo da Softex evidenciam que a mulher vem perdendo participação neste setor. Em 2007, elas ocupavam 24% dos postos de trabalho no Core TI* (setores econômicos tipicamente de TI) e os homens 76%. Embora a quantidade de mulheres tenha praticamente dobrado de 2007 para 2017 (21.253 para 40.492), a quantidade de homens aumentou 144% (67.106 para 163.685). Nesse período de dez anos, a participação da mulher no mercado de trabalho no Core TI diminuiu de 24% para cerca de 20%.

Quanto à remuneração por gênero, os dados permitem observar que, de maneira geral, tanto em 2007 quanto em 2017 a média entre os homens é superior à média entre as mulheres no grupo Core TI. Se em 2007 os homens ganhavam 5,34% mais, em 2017 essa diferença mais que dobrou, passando para 11,05% e ocorre em todas as ocupações.

Uma das razões que pode explicar o aumento da diferença salarial no período é a queda da participação das mulheres em cargos diretivos e gerenciais, os quais passaram a ser mais ocupados por homens proporcionalmente. E, de fato, há maior predominância de homens entre os engenheiros (87,4%) e nos cargos diretivos (87,1%) onde os salários são mais altos.

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Ler, informar e estudar: o tripé essencial do profissional buscado no mercado

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